A fé que cura.

Atualizado: 11 de Ago de 2020

Diante da diversidade religiosa brasileira, as religiões trazem inúmeras alternativas para a cura, e os indivíduos percorrem diferentes intinerários na busca do alívio para suas aflições. Neste artigo, discorrerei um pouco sobre a relação entre o processo de enfrentamento e cura da doença e a espiritualidade.

Começarei essa reflexão criando uma situação: imaginemos um quadro com uma pintura colorida, que traz em sua paisagem uma imensidão de céu azul e uma grama verdosa com uma grande árvore que tem ao seu fundo um riacho de águas claras.


A forma como o quadro é visto pelo espectador jamais será igual à forma como o carregador de mobílias o vê, e é diferente ainda, para o cientista que, a fim de comprovar se ele realmente foi pintado no século XV, o submete a processos como a radiação. São diferentes maneiras de se apreender algo, pois em cada uma delas o quadro tem um significado único.


Ainda na paisagem, o riacho de águas claras que ali corre tem um sentido para a lavadeira que o usa para lavar suas roupas diferente ao do viajante que nele vê a chance de matar a sua sede. E o jardineiro, que tratou de apagar um incêndio que se alastrava no mato seco com as águas do riacho, nesse momento o percebia de um jeito diferente do rapazote que todas as manhãs vai até ele para pescar. E, caso perguntássemos a um químico, ele certamente diria que as águas daquele riacho não passam de aglomerados de moléculas com dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.



Nos exemplos citados, apenas foram considerados elementos do "mundo físico": água, árvore, grama... quando tratamos de fatos humanos, culturais, sociais e espirituais, a percepção de mundo torna-se ainda mais complexa e individual.


Na perspectiva psicológica, a religião e o enfrentamento da doença até sua cura, são experimentados de acordo com os modelos culturais e normativos, e tratam-se de fenômenos impossíveis de serem delimitados, pois são, assim como no caso da paisagem do quadro, experiências e percepções subjetivas. Os aspectos bio-psico-sociais fazem parte da compreensão da saúde e da doença, sendo necessário considera-los no cuidado e na terapêutica utilizada. As diferentes religiões agem no processo de cura e cuidado, proporcionando um sentido à doença, fazendo com que a sua experiência seja ressignificada pelo doente e pelas pessoas à sua volta.


Diante da diversidade religiosa brasileira, as religiões trazem inúmeras alternativas para a cura, e os indivíduos percorrem diferentes itinerários na procura do alívio para suas aflições. Nesse cenário, a religião liga o sujeito a um universo social que compreende ancestrais, o sobrenatural, antepassados, cosmos e forças da natureza como possibilidades de cura, de modo que a eficácia só é alcançada quando a terapia faz sentido para quem está vivenciando.

Sendo assim, é fundamental considerar os objetivos dos atores sociais envolvidos, sejam eles a busca pelo enfrentamento da dor; o restabelecimento de uma "condição de normalidade"; ou ainda a aceitação de uma nova condição e, para isso, as terapias religiosas tornam a doença pensável, lhes dando nome e sentido num dado sistema de representações.


Autora: Síntia Santana


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